quinta-feira, 30 de abril de 2020

BOLHAS

O conceito de bolha social nos lembra a ideia que em anos anteriores se tinha de tribos urbanas. Hoje as bolhas talvez se distingam do antigo conceito, pela mudança e ampliação dos tipos de conexões entre pessoas, grandemente impactada pelas redes sociais e o império da internet. Como observadores dessas mudanças, identificamos alguns pontos dessa realidade, absolutamente devastadores da inteligência. E por que devastadores da inteligência? A resposta é elementar. Toda vez que há restrição do pensamento em uma única visão de mundo ou segmento de atividade humana, sem nenhuma espécie de abertura ao contraditório, à crítica, haverá a paralisia do intelecto. Quando se chama alguém de “burro” é pelo simbolo que o animal representa de paralisia, quando empaca. Por livre e espontânea vontade o bicho resolve parar, e não existe metodologia possível que o faça caminhar. Desde o carinho ao chicote, não sai do lugar a menos que ele mesmo resolva sair do lugar. Vamos através desse manifesto, elencar alguns problemas gerados pela cegueira que pode tomar conta de nós quando não optamos pela racionalidade, pelo questionamento constante, e pela busca do contraste, de ideias diferentes das nossas que possam nos ajudar de alguma forma. Evidentemente que é preciso disposição de “furar a própria bolha”, afim de não reduzirmos a vida à frenética expectativa de corresponder à expectativa de determinado público ou até mesmo de uma pessoa, acarretando graves transtornos de ansiedade e personalidade. Uma avaliação inicial, inspirada no pensamento do filósofo Hegel, é que todos buscamos uma razão de ser, a psicologia moderna denomina como uma busca de pertencimento, que a grosso modo, é a necessidade que temos de atribuir sentido às nossas ações e à nossa própria existência. Na minha avaliação se trata de uma “carência crônica” que todo ser humano tem. E essa carência ou falta pode ser preenchida de várias formas, mas esse preenchimento se torna doentio quando baseado na aprovação social. Talvez seja essa a problemática central das chamadas bolhas, a ditadura do aplauso e da retroalimentação de egos. Sujeito e objeto sob essa perspectiva se relacionam da forma mais tóxica possível. Muito se fala de relacionamentos tóxicos ou abusivos entre casais, mas não com tanta frequência se fala em relacionamentos tóxicos do ponto de vista de grupo ou bolhas. O sujeito (indivíduo) e o objeto (grupo), estabelecem entre si, uma relação de entorpecimento recíproco no que diz respeito a visão de mundo, fazendo com que todos se descolem da realidade totalmente, tendo consequências no caráter dos envolvidos. A importância de nunca se fechar nas próprias ideias é fundamental para o desenvolvimento integral de cada um de nós. Por mais que possamos nos desenvolver em determinados pontos da vida, seremos sempre pessoas alienadas quando nossas ideias não dialogarem com a crítica fundamentada sobre aquilo que pensamos e/ou fazemos, a ponto de podermos mudar visões de mundo quando acharmos que seja o melhor caminho ao crescimento. Uma frase atribuída a Einstein, o maior físico de todos os tempos, na minha concepção, diz “Uma mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original”. Essa máxima é fundamental em nossas vidas… Decidimos traçar alguns segmentos de atividade humana para criticar construtivamente, na minha avaliação. Essa crítica será a minha contribuição para as reflexões e, talvez, revisões em micro escala. Nenhuma pretensão quantitativa nesse sentido.
A primeira análise será feita no próximo texto, que será publicada segunda feira, dia 4/05. Aguardem!





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